Caixinha-cor-de-rosa

Mara Cunha

Gezebel respirou e transformou a sua caixinha-cor-de-rosa-de-chiclé-de-bola num esconderijo para os seus lindos cachinhos de ouro; depois encaixou-se em si, e deslizou, rápida, num trilho que a levaria diretamente não sei aonde.

Aquela bola muito grande onde Gezebel estava dependurada foi descendo, devagar, lentamente, até que a ponta do seu dedão-do-pé encontrasse o fundo.

Agora, na iminência do fim, e diante de tantos olhares iguais, em rostos tão distantes, apenas se achegou mais ao chão com o seu dedinho.

 

 

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