Na floresta

Mara Cunha

 

 

A vi correr e entrar na floresta com um objeto nas mãos. Depois soube que era uma máquina fotográfica.

Corri na mesma direção.

Que bela visão tive! Ela sorria como ninguém mais.

― Hoje vamos ver! Corre!

Corri para o seu sorriso.

É tudo verde por aqui. Ao nosso redor, desliza uma linda cobra, a mais bela que há. Gezebel sorrindo tenta aprisioná-la num instantâneo. Como se coubesse!

Num piscar de olhos, ao lado do trilho do trem, corre Gezebel à minha frente, veloz; atrás, o trem que vem, e a maior e a mais bela cobra.

― Olha!

Uma boca que se abria em rosa, engolia o trem que vem.

Continuamos rápidos à frente de tudo.

E o vento fazia com que os cachos dourados dos cabelos dela se esticassem em linha reta até ao meu rosto.

 

 

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