O demônio

Flávio Marinho

 

Dizem em lendas que na invenção de tudo, uma das divindades deu existência a doze demônios, e que cada um deles carrega dentro de si uma virtude e um grave pecado.

O demônio Aganon é o único que não está obrigado a responder pelos seus atos, com isso não está subordinado às ordens do seu criador. É do seu feitio, de tempos em tempos invadir a alma de incrédulos para a sua própria satisfação. No início oferece ao homem o doce sabor da fantasia, mas com o passar dos anos lhe extrai tudo o que o diferencia dos animais.

Durante os vários séculos, não foram poucos os que sofreram a influência da sua persuasão. Certa vez ouvi a história de uma de suas vitimas. Contam que através do demônio, ela percorreu os infindáveis e prazerosos labirintos dos sonhos e da imaginação; por conta deles criou e recriou mundos inteiros. Porém, em troca, deu ao demônio a sua total serventia. Isolado, cultuou os presentes recebidos a ponto de se desfazer de outros mitos conquistados ao longo dos seus anos de vida.

Ao fim de tudo Aganon voou de volta ao seu mundo, deixando para trás a sombra de um lobo.

Contam, que matilhas desses homens se agrupam nas noites mais claras para uivar em seu louvor.

 

 

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